Sentada em um restaurante, amargurada com a solidão a minha única fonte de calor são as taças de vinho que não param de chegar com o garçom, minha fiel companhia, poderei depois do meu sono não lembrar mais o seu nome entretanto com certeza sentirei a marca dessa noite tomando analgésicos e com uma tremenda dor de cabeça para o dia seguinte. Enquanto minha companhia me oferecia algo para comer estava pensando porque realmente precisava me afogar em tanto vinho se isso não resolveria nenhum dos meus problemas? Quem era eu na verdade? Senti uma gota fria escorrer pelo meu rosto, pensei que estava chorando mais uma vez de forma que nem perceberá mais meus olhos encher de lágrimas e me enganei, eram meus cabelos molhados da chuva que tinha tomado, nesse momento me dei conta também de que tinha um ferimento na perna e desconhecia a sua origem, parei de pensar um pouco porque tudo aquilo já estava ficando muito confuso e resolvi aceitar a sugestão de comer algo. Quando meu prato chegou não fiz muita questão, estava mais com vontade de arrancar aquilo que eu estava sentindo, os que estavam no local detinham toda a minha atenção assim como eu à eles, aproveitei para analisar cada casal que entrava, ficava notório saber o que cada um pensava e desejava para aquela noite, tudo tinha um tom tão erótico, provavelmente por estarem tão envolvidos com aquela situação pensaram que o motivo de estar naquele estado seria por caso de amores, mas não estavam completamente enganados, de certa forma estava destruída por amores e mais destruída ainda por querer ser mais do que eu sou, ser alguém que não sou e ao mesmo temo descobrir realmente quem eu sou, estava fracassada, tinha status e tudo o que mais se almejam, mas não encontrava a felicidade com isso foi quando um olhar se dirigiu ao meu, mas não era um olhar comum, era um olhar compreensivo, carinhoso que me retirava de todo aquela insatisfação, aquele mundo apenas me olhando, queria saber quem era o dono daquele olhar, mas estava com a visão um pouco embasada, quando pude ver nitidamente não o encontrei mais, quando surpreendentemente sinto uma mão me tocar e curiosamente para saber quem era meu olhos entraram em contato com aquele novamente, era uma idosa, não disse nada, apenas passou a mão pela minha cabeça, me ofereceu uma rosa branca e abriu um sorriso, involuntariamente retribui enquanto ela se distanciava, abaixei a cabeça e ainda sentia aquele toque carinhoso alisando os meus cabelos molhos, decidi não mais beber, chamei o garçom pedi que encerrasse a conta e chamasse com carro para me levar, foi quando perguntei quem era aquela velhinha que tinha aparecido, ele disse que não tinha chegado ninguém e que provavelmente eu já estaria exaltada por ter bebido demais, resolvi não insistir mas estava convicta de que aquilo tinha sido real. Depois de sair daquele local parei para refletir sobre a minha vida e percebi que a velhice tinha acariciado a juventude, mostrando-me que eu iria escapar e me encontrar com um simples amadurecimento, hoje sei quem realmente sou.
CM'
meeeeeeeeeeeeeeu bem , parabéns, você se superou neste texto. DIVINO.
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